Por Claudia Oliveira – Profa. Língua Portuguesa
Dante Alighieri, grande humanista dos séculos XIII-XIV, ao ilustrar sua trajetória política através da Comédia, mais tarde denominada Divina Comédia, não imaginou que o percurso pelo Inferno, Purgatório e Céu estaria tão próximo da nossa Mostra Cultural.
Quem vem à Mostra Cultural – ou o Céu dos alunos do ETN Objetivo – não faz ideia do quão sofrido é o caminho para a Redenção.
Começamos no primeiro anel do Inferno: definir o tema. É aquela maravilhosa e democrática votação em que todos falam, ninguém gosta e muitos se chateiam.
Definido o tema, o segundo anel do Inferno prevê a divisão do trabalho. Entre mandantes e mandados, muito choro e ranger de dentes.
No terceiro anel infernal cabe àqueles que foram agraciados com o dom do desenho transformar em realidade as absurdas ideias de seus colegas e, quiçá, de seus insanos professores. Como é fácil desenhar o que de descrevem...
Chegando ao quarto anel infernal, o heroico aluno entra na semana fatídica: muitas ideias, tempo correndo, todos gritando, ninguém se entendendo.
O quinto anel é o pântano do guache dos gizes de cera e da maldição do durex na parede. Os demônios docentes perseguindo-os: “não cole nada na parede”; “não use durex”; “arderás no fogo do inferno da cola quente”.
Quando se chega ao sexto anel, o pobre, extenuado e sobrevivente aluno vê-se num mar de glitter incandescente: até o branco dos olhos está brilhando.
Os sétimos e oitavos anéis aguardam os loucos, neuróticos descabelados. Depois de comer sanduíches, marmitex, marmitas frias com coca-cola quente a semana toda, as salas estão prontas e, na véspera, o aluno não dorme. Apenas sonha acordado que chegará ao purgatório com sua decoração toda rasgada. Este é o nono anel.
Já no nível máximo do estresse, o dia da Mostra marca a passagem do nono anela ao purgatório: o aluno, com seus pares – os outros torturados alunos – borbulham em suas roupas quentes, fantasias e cores: visitam o purgatório Marylins, Santos Dumonts, Bethanias, monstros, reis, fadas, Donas Bentas. São tantas personagens inusitadas a tomarem os corredores de nossa escola que descobrimos o Céu.
Mais que grandes prêmios, nosso céu é a certeza da grande e criativa família que formamos. E o céu é o maravilhoso trabalho de descobrir que em cada mente – de alunos, de professores, de coordenadores e direção – há um mundo de ludicidade e imaginação prontos para unir todos em torno de um sorriso. Dante decerto não teve a mesma felicidade ao alcançar sua Beatriz. |